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domingo, 20 de agosto de 2017

Pretéritos de uma nostalgia


Senti uma saudade tão imensa de mim mesma, que rasguei minhas entranhas e vomitei insanidades poéticas, alinhadas no peito em chamas.
Desfiei o linear entorpecido do meu eu que deixei lá atrás, perdido, sozinho, iludido com um futuro desistente ante as batalhas .
Fiquei face a face com uma imagem distorcida, assimétrica, meu lado esquerdo imperfeito, desfeito e mal-feito, reflexos de escolhas que um dia não fiz.
Desfaleci palavras insensatas pra descrever os meus versos desconexos de um eu que eu não quis.
Proferi meus silêncios em gritos e em vozes caladas por forças da hipocrisia.
Percorri meus desejos devassos no pudor dessas vozes comuns.
Aceitei minhas trilhas incertas, não briguei nem lutei, sobrevivi.
viajei nos delírios nostálgicos e ainda procuro por mim.
Saudade passa, a vida passa, a que resistiremos?


 krika revisitado em 2017

Desencantamos



Expectativas desmoronadas na miragem escaldante
 de um tempo de gastura, 
de arrebatamento sem foco, 
de amor emudecido na rouquidão depois do grito 
e no silêncio que se fez atrás da porta, fechada diante de ti. 
Não existe maçaneta e nem tempo para voltar.

 E tudo é solidão quando se ouve as palavras do silêncio, 
sopradas no vento daqueles dias, 
daqueles momentos, 
daquela alegria longínqua,
daquele violão nas calçadas,
daqueles ajuntamentos de nós, 
desatamos nós,
daquela simplicidade alheia aos movimentos do mundo...
Achávamos que salvaríamos o mundo
daquela ameaça iminente 
da passagem do tempo, 
das horas, 
da vida... 
vida passa também!!

E tudo virou canto triste na música fácil, 
naqueles rostos surgidos na poeira 
do desencanto de um caminho ... 
krika 2017