quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Pretéritos da Nostalgia

Senti uma saudade tão imensa de mim mesma, que rasguei minhas entranhas e vomitei insanidades poéticas, alinhadas no peito em chamas.
Desfiei o linear entorpecido do meu eu que deixei lá atrás, perdido, sozinho, iludido com um futuro desistente ante as batalhas .
Fiquei face a face com uma imagem distorcida, assimétrica, meu lado esquerdo imperfeito, desfeito e mal-feito, reflexos de escolhas que um dia não fiz.
Desfaleci palavras insensatas pra descrever os meus versos desconexos de um eu que eu não quis.
Proferi meus silêncios em gritos e em vozes caladas por forças da hipocrisia.
Percorri meus desejos devassos no pudor dessas vozes comuns.
Aceitei minhas trilhas incertas, não briguei nem lutei, sobrevivi.
viajei nos delírios nostálgicos e ainda procuro por mim.
Saudade passa, a vida passa, a que resistiremos?

 krika revisitado em 2017

domingo, 28 de agosto de 2016

Simples constatação

 
Quanto de mim deixei pelo caminho
 e quanto de ti trouxe comigo pelo caminho...
somente o tempo dirá...
Não sou a mesma de ontem,
 não serei a mesma mulher amanhã,
 sou constante transformação,
desnudando o verso a cada sussurro
do tempo... no avesso do mundo!
krika 2016
 

E fim...

 
...e  tudo o que restou fou a imagem da luz por entre as frestas dos tijolos de uma parede de mágoas,
da travessia inútil sem ter onde chegar,
que um dia foi mira certeira de felicidade,
de construção,
de destino,
de juras de amor,
de promessas de amor,
de certezas de amor,
porque quando se ama as dúvidas ganham forma de açúcar demerara,
sobre maçãs com canela,
servida no pós-almoço de domingo,
 onde a felicidade fazia morada e tinha riso e dentes
e cabelos ao vento e roupa no varal,
escorado por bambu, colhido no quintal do vizinho...
O tempo, que pode curar feridas, quando passa depressa demais vira corrente e súplica de volta para o início,
quando a vida era inocente,
quando a surpresa era a sobremesa daquele mesmo almoço, seguido de um cochilo de renovação,
nas tardes douradas de um domingo...
 a vida muda...
a gente muda
 e a música hoje é nostalgia ou saudosismo.
Já não embala o amor...
Amor envelhece,
 desgasta feito calça jeans sob o sol que doura a vida
 nesse meu Brasil, brasileiro... 
O dia simplesmente passou...
o domingo acabou na cinza de um tempo perdido
 em um canto qualquer
 desse mundo insano e belo... !
krika2016